segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O efeito Carina

Lula e Carina Vitral, na convenção, em Santos. Qual é o peso do PT?
Foto: Agência PT

Marcus Vinicius Batista

A candidata Carina Vitral (PC do B) consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo, na corrida eleitoral. Mas ambas as posições, se observadas em conjunto, indicam que a candidatura enfrenta dificuldades.

Carina aparece em segundo lugar em quase todos os momentos, com variação de 5 a 8% das intenções de voto. Se a vice-liderança não refresca em nada o cenário de reeleição do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), Carina poderia compreender que a segunda posição a aprova para uma candidatura ao Poder Legislativo, em 2018.

O que inviabiliza a candidatura de Carina Vitral à Prefeitura de Santos é um detalhe que faz a diferença na urna. Na pesquisa Enfoque Comunicação/ Jornal Boqnews, Carina lidera, de forma escandalosa, a rejeição dos eleitores. Em outras palavras, 37,7% dos entrevistados jamais votariam nela. Ela só perde para os indecisos, que somam 39,2%.

O prefeito, por exemplo, apresenta rejeição de 7,4%, um quinto do índice de Carina Vitral. Na sequência, vem Marcelo Del Bosco (PPS), com 2,9%. Daí para baixo, até chegar em Hélio Hallite (PRTB), o último da lista de rejeição, com 1,1%.

O que leva parte do eleitorado santista rechaçar a candidatura dela? Carina cometeu seus próprios pecados, mas também paga pelas heresias alheias. A candidata do PC do B é alvo de preconceito, por exemplo. Os eleitores mais velhos e de classes mais altas a enxergam como inexperiente e jovem demais para comandar a cidade.

Essa posição é interessante, pois esconde outros estigmas. Se compararmos, o atual prefeito não tem 40 anos e venceu a primeira eleição, para deputado estadual, com menos de 30, quando assumiu secretarias estaduais no governo Geraldo Alckmin.

O pacote se acentua com informações como tempo de vida universitária na PUC-SP, voz infantilizada ou não morar na cidade. Tudo é perfumaria para mascarar a essência da rejeição.

Carina Vitral paga a conta por causa do apoio do PT. Não é o PT em Santos, mas a instituição nacional. É importante ressaltar que o candidato à vice, Reinaldo Martins (PT), não tem peso nesta história. Ele é visto como um sujeito de comportamento irretocável, de vereador à secretário municipal.

Telma de Souza, a maior liderança local e articuladora da candidatura de Carina, traz consigo alto índice de rejeição. No caso dela, irrelevante para uma candidatura à vereadora, mas uma indireta para Carina.

Se a aliança com o PT deu visibilidade à Carina Vitral, o mesmo motivo a tornou telhado de vidro. O apoio da UNE ao governo Dilma também colaborou para o entendimento de que a candidata é petista. Isso numa cidade (ou parte dela!) que não elege o PT desde David Capistrano.

A campanha de Carina também perdeu tempo em explicar as origens dela e em ataques à gestão atual. Isso atrasou a construção de uma imagem como alternativa, que fosse capaz, inclusive, de diferenciá-la dos demais concorrentes, que - por razões óbvias - batem na mesma tecla.

Carina Vitral é uma personagem interessante para reflexão nesta disputa previsível. O problema é que ela talvez tenha escolhido os amigos errados, na visão de boa parte dos eleitores.

2 comentários:

  1. Parabéns professor pela lucidez que nos trás aos fatos deste texto. Sem dúvidas, na minha opinião, essa jovem se amarrou a um fardo muito pesado que faz questão de abraçar.

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  2. Parabéns professor pela lucidez que nos trás aos fatos deste texto. Sem dúvidas, na minha opinião, essa jovem se amarrou a um fardo muito pesado que faz questão de abraçar.

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