quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O cinto apertado de Bili



O prefeito de São Vicente, Luís Cláudio Bili, se transformou em um homem avarento, por forças das circunstâncias. Publicamente, ele só fala em reduzir gastos, contar as moedas, economia de guerra. E ameaça processar judicialmente seu anterior. Até ironizou o novo endereço dele, em Limeira, e depois voltou atrás para evitar um mal-estar político. 

O fato é que o prefeito ganhou voto de confiança de muitos moradores, mais por conta dos pecados de seus adversários do que por seus próprios méritos. Assim foi na eleição. Assim foi depois da posse. Até a imprensa tem olhado para o novo prefeito com certa compaixão.

Bili possui os chamados 100 dias de governo como lastro para se proteger das críticas. Por enquanto, Tércio Garcia paga – no campo da retórica – por todos os crimes cometidos, o que me parece justo. Aliás, quando o Ministério Público vai se mover para verificar o que aconteceu na cidade?

Depois dos 100 dias, o novo prefeito terá que mostrar a real situação da administração vicentina. Quanto é a dívida? Ele especulou em R$ 800 milhões. Especulou, pois não tem certeza do rombo.

Em entrevista ao repórter Bruno Rios, do grupo A Tribuna, Bili falou em dispensar duas mil pessoas a médio prazo. Quais serão os critérios? O prefeito novamente se apoiou em estimativas, o que alimenta a desconfiança sobre o número de demissões.

Até o momento, as medidas de contenção de gastos foram vendidas como méritos. Na prática, o prefeito não fez mais do que a obrigação. Reduziu de 34 para 17 secretarias. O que isso vai significar em cortes de aspones e outros que costumam pendurar os ternos nas cadeiras? Menos secretarias não representam, necessariamente, menos gente nas entrelinhas da máquina.

O excesso de secretarias era motivo de piada até entre assessores da gestão anterior. Secretaria de Pesca? Secretaria de Assuntos Metropolitanos? Brincava-se sobre a contratação de paranormais para localizar a sede de tais pastas. Conheci assessores que desconheciam o endereço das secretarias.

O novo prefeito anunciou também o corte dos carros oficiais, tanto para ele como para os secretários municipais. Todos terão que utilizar os próprios carros e pagar o combustível. Bili estimou economia de R$ 300 mil ao mês. A decisão, obviamente, ganhou ressonância política, mas pouco interfere no caos financeiro. Na verdade, é o troco da pizza diante do tamanho do orçamento municipal.

Além disso, prefeito e secretários ganham salários compatíveis para que possam dirigir o próprio carro, pagar a gasolina e bancar suas contas de celulares, sem depender de dinheiro público. E o poder sempre assegura outros benefícios.

No caso dos celulares, os aparelhos serão desabilitados. O prefeito também calculou uma contenção de R$ 120 mil ao mês em contas. O valor, irrisório para os cofres, poderia manter equipamentos essenciais do município. Mas – cá entre nós – trata-se de uma imoralidade ver secretários queimando horas em celulares para resolver problemas (??) das mais variadas ordens.

Por trás da gritaria em conter gastos, o prefeito tenta costurar um cenário político, no qual se desvincula por completo da gestão Tércio Garcia. Honestamente, parece-me difícil em prazo curto. A relação com a dinastia França está no DNA político de Bili, que apoiou o grupo derrotado até anteontem.

Duas décadas de vereança como situação e mais três passagens por secretarias não se apagam do dia para noite. Tanto que alguns espectros do passado permanecem vivos e com poder de decisão no atual governo.

Por hora, a compreensão com quem sinaliza por mudanças drásticas no jeito vicentino de governar, ainda que restrito ao discurso da primeira semana. Até quando os moradores terão paciência? Afinal, um fato é definitivo: Bili conhece a administração de São Vicente até a medula.
 

5 comentários:

  1. Muito bom o texto, realmente o prefeito bili ta sendo ocara do momento, eu votei nele com muita insegurança e hoje não me arrependo. Quero ver esse fogo dele o quanto vai durar, o que não pode é abaixar a cabeça!

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  2. Não simpatizo muito com quem fala muiiiiiito, prefiro os que realmente sabiamente fazem! Bom já que está lá deixe de falar tanto e perder energia, arregace e faça... Acho que é o que todo municipe espera. Força para ele, mas na lingua menos!

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  3. Bem lembrada a urgência de que o Ministério Público deve entrar em campo. Acho que a questão é se o fato de Bili conhecer a administração vicentina "até a medula" fará - ou não - seu governo desenvolver práticas políticas diferentes da gestão anterior. E, principalmente, fazer um bom governo. Mas isso só será possível constatar quando essa situação se estabilizar (o que esperamos que aconteça).

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  4. Excelente texto, Marcão. Quem permaneceu na Prefeitura como eu, durante a troca de governo, observou o caos que a casa estava quando entregue pela gestão anterior. E ainda está; e isso causa certa pena mesmo. Santo ninguém é, sabemos disso, mas acredito que estão crucificando as pessoas erradas pelo rombo e demais prejuízos que São Vicente possui atualmente. Já passou da hora do Ministério Público agir. Quanto à expectativa do que Bili e sua equipe conseguirá fazer, só nos resta esperar e torcer. Porque, pior do que já está, acho difícil ficar.

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  5. Querido companheiro de Facos, dirigir pela Linha Vermelha, na Vila São Jorge e Voturuá; na Av. Castelo Branco, na Náutica ou ir até a área continental pela Av. Angelina Prety é uma verdadeira aventura de rally urbano. São tantos os buracos que não há chance de desviar de todos levando-se em conta que o tráfego é intenso. Tenho esperança de que o BILI mude essa situação. Não temos placas com nomes de ruas e avenidas e as calçadas não seguem nenhum padrão. São necessárias pessoas com vontade de organização e trabalho nas secretarias formadas por ele. Desejo boa sorte!

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